Telecom

Operadoras investem para o cliente gastar mais

Foram 25 milhões de novos usuários de telecomunicações no Brasil, em 2009, 12% a mais do que em 2008 e o segundo melhor desempenho da história do setor (ante 20% no ano anterior). Celular e banda larga lideram o esforço de rentabilizar os serviços.

No final de 2009, o Brasil alcançou a marca de 227 milhões de acessos a serviços de telecomunicações, dos quais 174 milhões por meio de dispositivos móveis, 42 milhões de linhas fixas e 11 milhões de assinantes da internet em banda larga. No segmento de telefonia móvel, com uma adição líquida de 23,3 milhões de usuários, a taxa de penetração entre a população alcançou 91%. No final de 2009, o Brasil atingiu o montante de 7 milhões de aparelhos celulares, ante 2,1 milhões registrados no último trimestre de 2008. O segmento pré-pago foi quem puxou o setor de telefonia no ano, com uma participação de 90% no total das adições dos usuários móveis em 2009.

Segundo o relatório do Banco Fator,”a combinação de demanda aquecida, menor necessidade de subsídios e gastos comerciais e baixo impacto da crise financeira mundial resultou em bom desempenho das operadoras móveis”. O faturamento bruto do mercado de celulares totalizou 69,9 bilhões de reais em 2009. O que significa que cresceu, mesmo com a retração do Produto Interno Bruto (PIB), embora em ritmo menor –  ­ 2% em relação a 2008, quando o setor cresceu 14% sobre 2007, segundo a Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil). O mesmo levantamento indica que, nos primeiros três meses deste ano, a telefonia móvel registrou uma receita de 17,8 bilhões de reais, 8% maior do que a contabilizada no primeiro trimestre no exercício anterior.

Já o mercado de telefonia fixa manteve a tendência de estagnação, com evolução de apenas 1,3% sobre 2008. Claramente, as operadoras de telefonia passaram a buscar mais rentabilidade e retenção dos seus clientes. Para isso, aumentam as ofertas de aplicações de valor agregado, que dependem, em geral, do acesso banda larga à internet.

A ADSL continuou predominando como tecnologia mais difundida na telefonia fixa, apesar do forte crescimento da TV paga em DTH e das conexões via rádio. Entre as celulares, em 2009, a 3G foi a tecnologia que mais cresceu. Segundo cálculos da consultoria Teleco, no último trimestre de 2009, a receita bruta com dados das operadoras de celular representou 13,7% do total do faturamento bruto das companhias. No quarto trimestre do ano anterior, essa participação era de 9,7%. Entre 2008 e 2009, a soma das receitas brutas com serviços de dados da Vivo, TIM e Oi atingiram 5,8 bilhões de reais, 39% superior ao do ano anterior, quando chegou a 4,2 bilhões de reais.

A prioridade das empresas não é mais simplesmente aumentar a base de assinantes, mas conquistar os usuários que gastam mais ­ e fazê-los consumir serviços mais sofisticados. Todas as operadoras investem nos produtos convergentes. O deslocamento de modelo de negócio, que já ocorre gradualmente há alguns anos, aparece nos resultados financeiros das empresas de telefonia móvel, e também na telefonia fixa.

Para os especialistas, os números do ano passado superaram as expectativas, pois, com a crise, uma parte dos consumidores, embora tenha adiado as compras de produtos, continuou adquirindo serviços. O que não evitou o receio das empresas. ³As operadoras iniciaram 2009 mais cautelosas, reduzindo investimentos, o que afetou a expansão do segmento de serviços no setor de telecomunicação², informa o analista e diretor da consultoria Teleco, Eduardo Tude.

A íntegra dessa reportagem você encontra na edição impressa da COMPUTERWORLD 300 Maiores de TI e Telecom.