Software
Oferta de serviços prepara caminho para a nuvem
A maior adesão ao SaaS na comercialização de sistemas corporativos amadurece o ambiente para o modelo de cloud computing, segundo IDC e Gartner. Mas ainda há barreiras, como os custos de gerenciamento e as incompatibilidades de integração.
O ano de 2010 deve ser a antessala do fim do modelo de negócios para software e serviços como o conhecemos. “Estamos prestes a ter uma ruptura na forma de comercialização de software”, prevê o professor Fernando Meirelles, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo. Para ele, os sintomas mais evidentes dessa transformação foram o avanço das plataformas abertas e do software contratado como um serviço remoto, o SaaS (Software as a Service), observado durante 2009. Ambos, na opinião do pesquisador, resultados de uma “grande insatisfação do usuário com as opções atuais de oferta”. Como resposta, ao longo do ano passado, ficaram cada vez mais tênues, nas estratégias dos fornecedores, as fronteiras entre diferentes mercados: hardware, storage, software, infraestrutura, entre outros, todos cada vez mais integrados em plataformas de prestação de serviços, como se observa na análise dos segmentos analisados na edição impressa da COMPUTERWORLD 300 Maiores Empresas de TI e Telecom.
Mesmo em meio ao que Meirelles chama de “ebulição tremenda”, os institutos de pesquisas projetam crescimento para o setor no País, este ano. Por exemplo, de 15% para o mercado total de TI, em relação aos 28,1 bilhões de dólares, em 2009; ou de 9,3% para software, e de 8,1% para serviços, nas contas da IDC Brasil. Segundo o Gartner Group, a receita com aplicações corporativas na modalidade SaaS vai movimentar 8,8 bilhões de dólares no mundo em 2010, chegando a 14,4 bilhões de dólares em 2014, numa taxa de crescimento composta de 17,7% ao ano, entre 2007 a 2013, mais do que o triplo da esperada para o mercado de SaaS de forma geral (5,2%).
A principal explicação, de acordo com os especialistas, é porque o SaaS faz parte do caminho para amadurecer a venda de recursos computacionais totalmente baseada na internet, as chamadas nuvens, paradigma para aonde caminha a grande maioria dos agentes do setor de TI. O mercado de cloud computing vai movimentar, no mundo, 68,3 bilhões de dólares em 2010 e 148,8 bilhões de dólares em 2014, sendo 2% disso na América Latina, nas projeções do mesmo instituto.
Entre meados do ano passado e o início deste, IBM, SAP, Oracle, Totvs começaram a vender alguns de seus produtos como serviço remoto. Até a Microsoft lançou, em abril, sua plataforma de nuvem, o Windows Azure, seguindo a tendência da oferta do Google Apps, um dos pioneiros na nuvem, com extenso portfólio corporativo, ao lado da Amazon.
De forma geral, contudo, e em especial na faixa de aplicações complexas, o modelo de SaaS e as promessas de nuvem ainda recebem críticas e precisam superar problemas, como preços nem sempre competitivos (a taxa mensal do serviço pode chegar a duas vezes o da licença, segundo analistas e CIOs) e, principalmente, custos de gerenciamento. “Ninguém tem ideia de qual será o modelo que vai vingar. De um lado, há usuários bravos com o modelo tradicional; de outro, baixa aceitação às novas propostas”, analisa Meirelles. E ele garante que tem visto de tudo ¬ até contratos de risco, nos quais, se não for obtida a economia prometida pelo fabricante, por exemplo de 20%, o cliente só paga 80% do valor acertado.
“Não tem jeito, ou o usuário reduz o nível de serviços, ou vai pagar mais lá na frente, na governança e na gestão”, alerta o professor da FGV, responsável pela Pesquisa Anual sobre o Mercado Brasileiro de Informática e Uso nas Empresas, do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP-CIA), em sua 21ª edição. Segundo o levantamento, fornecedores de software têm acenado com economias no Custo Anual de Propriedade do Micro (CAPM), por meio da terceirização, de 1 mil dólares a 3 mil dólares, em três anos.
Para o gerente de pesquisas enterprise da IDC Brasil, Reinaldo Roveri, “virtualizar é barato, o que custa, de um lado, é a mão de obra para manter um ambiente virtualizado e, de outro, as ferramentas que permitam tirar valor dessa tecnologia”. Junto com o SaaS, a virtualização — pré-requisito para os processos mais amplos de consolidação de servidores — ganhou força em 2009. E ambos caracterizam a primeira fase do mercado na direção do cloud, de acordo com o pesquisador. Nos seus cálculos, cerca de 30% das empresas brasileiras com mais de cem funcionários já virtualizaram servidores em alguma medida. Dados do Gartner indicam aumento de 29,8% nos negócios com software de virtualização no Brasil: de 9,4 milhões de dólares em 2009, para 12,2 milhões de dólares este ano.
Junto com o SaaS, a virtualização pré-requisito para os processos mais amplos de consolidação de servidores ganhou força em 2009. E ambos caracterizam a primeira fase do mercado na direção do cloud, de acordo com a explicação do gerente de pesquisas enterprise da IDC Brasil, Reinaldo Roveri. Nos seus cálculos, cerca de 30% das empresas brasileiras com mais de cem funcionários já virtualizaram servidores em alguma medida. Dados do Gartner indicam aumento de 29,8% nos negócios com software de virtualização no Brasil: de 9,4 milhões de dólares em 2009, para 12,2 milhões de dólares este ano.
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